Aceitar as circunstâncias:

UM ATO DE SABEDORIA

O assunto deste mês é a ACEITAÇÃO. Como praticar a aceitação de forma saudável? Aceitar significa eu me conformar com minha situação? Aceitar é ser passivo?

Você não precisa gostar do que está acontecendo em sua vida, mas precisa aceitar as circunstâncias para assim poder reunir forças e fazer algo a respeito. Em alguns casos, uma simples mudança de perspectiva já fará grande diferença. Em outras situações, escolhas precisam ser feitas e novos caminhos traçados. Há também aquelas situações em que uma pequena mudança diária já trará luz e esperança de dias melhores.

A resistência e não aceitação da própria realidade apenas enfraquece o indivíduo e o deixa sem ação, como se estivesse paralisado, tornando-o incapaz de definir seu próprio papel na situação. Quando resistimos nos tornamos priosioneiros das situações. Todavia, existe um poder transformador na prática da aceitação, já que por meio desta atitude as emoções carregadas de raiva são destruídas, o peso é aliviado, o rancor, a frustação e a tristeza perdem sua força.

Quando não escolhemos, acabamos vivendo em uma espécie de “piloto automático” ou “default”. Em outras palavras, simplesmente permitimos que os outros escolham por nós. Ao não aceitar a realidade, renunciamos a nossa capacidade de fazer uma escolha consciente, nos tornando vítimas das circunstâncias. Esse padrão mental nunca traz alívio, somente dor. O simples fato de não aceitar a própria situação é lutar contra uma realidade que já existe, e isso pode desequilibrar qualquer indivíduo, gerando stress, sofrimento, ansiedade e sentimento de incapacidade. A resistência não tem poder algum de mudar a situação exterior ou o comportamento de alguém. O sofrimento é apenas prolongado quando não aceitamos as circunstâncias que estamos vivenciando.

Aceitação é uma escolha que trará luz, respostas, e soluções. De fato, um ato de força interior, sabedoria e humildade, pois existem inúmeras situações que não estão sob nosso controle. Lembre-se que as experiências, por mais terríveis que possam parecer, são apenas temporárias.

No processo de cura emocional é essencial aceitarmos ou reconhecermos a situação atual, de modo que aquela incômoda resistência interior, que tanto sofrimento traz ao nosso coração, possa diminuir ou mesmo ser removida. Por que continuar infligindo tanto sofrimento a si mesmo? Você não gostaria de parar de sofrer?

Desejo deixar bem claro que de forma alguma me refiro a aceitar o comportamento abusivo de alguém, ou algo parecido. Não estou sugerindo passividade, muito menos falta de atitude. A falta de ação é gerada por outros problemas emocionais que as pessoas têm ligados à autoestima – tais como sentimentos de inferioridade, dificuldade em dizer não, medo de não ser aceito, medo de ser julgado, etc.

Estou me referindo a parar de enganar a si mesmo. Parar de criar desculpas e justificativas para nossas escolhas insensatas e comportamentos prejudiciais. Parar de culpar os outros por nossas próprias derrotas e fracassos. Deixar de culpar os pais, o cônjuge, o chefe ou seja quem for. Aceitar e reconhecer que sou eu mesmo que permito que me tratem da maneira como tenho sido tratado. Não é culpa de ninguém mais, a não ser minha própria, se dou permissão para alguém extrair o pior de mim. Somos apenas responsáveis por nosso comportamento e attitude. Precisamos aceitar que o único comportamento que tenho poder de mudar é o meu.

O que tem te deixado frustrado, insatisfeito e deprimido? Reconheça seus sentimentos. Identifique suas emoções. Os pensamentos que você tem cultivado têm te favorecido ou feito totalmente o contrário? Você reconhece precisar de ajuda? Se este for o caso, busque ajuda.

Você merece uma vida gratificante e tranquila. Permita-se tê-la! Aceitar de forma alguma é desistir. Aceitar significa estar presente no momento, e viver consciente de suas escolhas. E só então a transformação se inicia.

Concluo deixando para você, querido leitor, esta bela oração extraída da “Oração da Serenidade”, de autoria do teólogo Rinhold Niebuhr:

“Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso, e sabedoria para conhecer a diferença entre elas.

Vivendo um dia de cada vez, desfrutando um momento de cada vez, aceitando que as dificuldades constituem o caminho à paz. Aceitando, como Ele aceitou, este mundo tal como é, e não como eu queria que fosse.

Confiando que Ele acertará tudo, contanto que eu me entregue a Sua vontade. Para que eu seja razoavelmente feliz nesta vida, e supremamente feliz com Ele eternamente na próxima.”

Com muito carinho,

Dra. Claudia Martins

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