Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade

9 Passos Para Um Melhor Convívio Familiar
Agradeço a todos os leitores que enviaram mensagens e ao carinho expressado por este blog.

Aqui segue mais informações sobre o TDAH ( Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e dicas para uma melhor convivência e relacionamento com seu filho.

Ao atender pais no meu consultório sobre este assunto específico, sempre ressalto que rotina é essencial para um melhor convívio com crianças portadadores do TDAH. Aqui vão 9 passos que podem consideravelmente facilitar o processo de desenvolvimento da criança como também auxiliar num melhor convívio familiar.

1. Faça com que a rotina seja clara e previsível, crianças com TDAH têm dificuldade de se ajustar a mudanças de rotina.

2. Durante a realização do dever de casa afaste-as de portas e janelas para evitar que se distraiam com outro estímulo e deixe-as perto de fontes de luz para que possam enxergar bem. É bom levar em consideração que a criança provavelmente precisará de tempo extra para completar sua tarefa.

3. O contato visual é de extrema importância, não fale de costas.

4. Ao dar instruções repita as ordens; faça frases curtas e peça sua criança para repeti-las, certificando-se de que ele entendeu.

5. A criança deve ter reforços positivos quando for bem sucedido. Isso ajuda a elevar sua auto-estima. Procure elogiar ou incentivar o que aquele sua criança tem de bom e valioso.

6. Nunca provoque constrangimento ou menospreze seu filho.

7. Adapte suas expectativas quanto à criança, levando em consideração as deficiências e inabilidades decorrentes do TDAH.

8. Seja claro e objetivos quanto ao limites impostos. Tenha uma atitude disciplinar equilibrada e proporcione um ambiente familiar calmo e seguro, com sugestões concretas e que ajudem a desenvolver um comportamento adequado.

9. Facilite sua vida e diminua seu nível de estresse associado a este assunto aprendendo a reconhecer os limites da sua tolerância e modifique o programa da criança com TDAH até o ponto de se sentir confortável. O fato de fazer mais do que realmente quer fazer, traz ressentimento e frustração.

A comunicação constante com o terapeuta e/ou professor da escola facilitará o processo de desenvolvimento da criança.
O tópico TDAH provavelmente continuará sendo o mais amplamente pesquisado e debatido nas áreas da saúde mental e desenvolvimento da criança.

Com a crescente conscientização e compreensão da sociedade em relação ao impacto significativo que os sintomas do TDAH têm sobre as pessoas e suas famílias, o futuro parece ser mais promissor.

Abaixo segue o depoimento escrito por Iane Kestelman. Vale a pena conferir.
 

 

Minha Vida

Ele era uma criança levada, que não parava no lugar e não se concentrava em nada. Diziam que ele era hiperativo, mas pera aí? Como podia ser hiperativo uma criança que ao jogar videogame ou assistir um jogo do Flamengo na televisão ficava horas e horas parada sem ao menos piscar os olhos?

“Mal educado!!!!” ” Sem limites!!!!” “Capeta!!!!” “Disperso!!!!” “Louco!!!” eram frases que ele comumente ouvia.

Ele sofria com isso, porém, sempre se considerou como os outros, pois tinha uma vida parecida com a dos seus amigos, mesmos hábitos, costumes, cultura, mas sempre fazendo as coisas muitas vezes sem pensar. Mesmo assim, ele não era somente defeitos, assim como perdia amigos facilmente, os recuperava com seu carisma e sua inteligência.

Inteligência que incomodava a muitos, pois não o viam estudar muito, se empenhar e mesmo assim colher como frutos, bons resultados… “Mas pera aí, ele nunca pode ser um bom aluno!” “Ele só pode estar colando”.

Eis então que ele cresceu, a criança hiperativa mal educada virou um jovem. Ele, agora mais velho, continuava tendo muitos amigos, saía, se divertia e jogava muito bem futebol, algo em que definitivamente se concentrava e parecia até uma pessoa “normal”; ele era o capitão de seu time da escola, exercia toda sua liderança em quadra e se orgulhava muito disso.

Na sala de aula, parecia que sua liderança se tornava algo negativo, o fazia não ter forças para estudar, para prestar atenção, atrapalhava a turma, desconcentrava os professores e criava muitas inimizades. Inimizades essas que não acreditavam como ele podia obter bons resultados. E as vitimas de sua tenebrosa atitude sem limites? Ele não pode corresponder às expectativas.

Ele era o capitão do time, ele era querido…..

Ele era um menino problema; em sala de aula, ele era odiado.

Como sua vida não era feita só de futebol, ele foi campeão no campo, e foi derrotado fora dele; foi perseguido como um bandido sem direito a legítima defesa, afinal foi pego várias vezes em flagrante, com sua maligna hiperatividade e sua temível impulsividade.

Orgulhosamente, foi lhe dado o veredicto final, como um juiz que dá uma sentença a um réu, sua reprovação em matemática foi ovacionada pelos guardiões da boa conduta e da paz escolar, e sua conseqüente saída da escola como um início de um novo ciclo de alegria, sem ele, aquele menino, que jogava bem futebol, mas somente isso.

Ele chorou, perdeu seus amigos, sua escola, mas mais do que tudo isso, perdeu sua auto-confiança.

Ele já estava se tornando um adulto, e por meios do destino sua mãe conheceu um médico que tratava de um tal “déficit de atenção”. Seria tão somente o 445º tipo de tratamento para curar aquele garoto-problema, algo que até o mesmo já estava praticamente convencido que era.

Mandaram-lhe tomar Ritalina, um remédio ruim, que tira fome, e que lhe daria mais atenção e blá blá blá !!! Algo que ele já estava cansado de ouvir. Ele tomou a medicação sem crença nenhuma naquilo.

E o tempo foi passando, ele vivendo sua vida, em uma nova escola, procurando seu lugar no time de futebol do colégio…

Em 4 anos ele se tornou capitão do time. E mais, foi campeão vencendo a sua ex-escola; se formou como um dos melhores alunos da turma, passou para a faculdade que queria, tirando nota 10 na prova de matemática, a matéria que o fez passar um dos seus piores momentos ao ser reprovado.

Hoje ele está na faculdade. Ele ainda tem muito o que viver, com seu jeito hiperativo, desatento, mas agora controlado, sem deixar de ser ele mesmo. Ele vai vivendo, com o intuito de um dia poder mostrar que não era um bandido, um mal educado, nem um “sem limites”; era apenas uma pessoa diferente e, como todas outras pessoas diferentes, pode e deu certo na vida.

Hoje ele é feliz, tem uma namorada, estuda o que gosta, tem muitos amigos, sua família se orgulha dele e, acima de tudo, ele próprio sabe o que tem e vive feliz com a sua realidade.

Ele deseja que o que ele sofreu, outras pessoas não sofram um dia.

Ele?

Sou eu…

Beto
 
Tenha um dia abençoado com força, sabedoria e muita graça.
 
Dra Claudia Martins

Apoio Multi Holding

Dr. Claudia Martins’ photo produced by www.passportpictures.org

 

 

 

3 Comment(s)

  1. Bom dia Claudia, que a a paz de Deus esteje sobre sua vida e de sua familia.
    Foi muito bom saber o quanto Deus tem abençoado a sua vida li um Artigo seu muito interessante sobre “Novos Horizontes”, e assim com na frase de “Theodore Roosevelt” , EU arrisquei e graças a Deus tenho colhido benções em minha vida e na vida da minha familia, hoje sou empresário na área de Telecomunicações e posso dizer que sem ousadia e determinação é impossivel alcançar ou realizar sonhos, “pois sonho que se sonho só é apenas sonho, mas sonho que se sonho junto torna-se realidade” , e este meu sonho e fruto da bondosa e maravilhosa graça de Deus.

    Um abraço

    De seu irmão em Cristo

    Luciano Brito e Familia…

    LUCIANO BRITO | abr 15, 2011 | Reply

  2. Você realmente tem alcançado vidas através dos seus artigos, sua ajuda profissional tem sido de grande valia na minha vida, e agora abordando este assunto que é uma realidade na minha vida. O Pedro toma medicamentos que ajudaram demais no TDAH, ele tem aprendido e ganhado mais qualidade de vida. Os ajustes no meu lar estão agora se adequando as necessidades dele, nos agora conseguimos gozar de uma vida emocionalmente mais tranquila, e ele tem se mostrado outra criança. Louvo a Deus por você e todos os profissionais que se empenham em tratar dos problemas emocionais, que sabemos serem causadores de grandes catastrofes quando não tratados adequadamente. Mais uma vez Obrigado e que o Senhor Jesus derrame bençãos sem medida na sua vida!

    Léia Brito | abr 21, 2011 | Reply

  3. Dr Claudia no dia 3/7 a 7/7 estarei viajando com o Rodrigo então estes dias ele não fará terapia, ok?Mas os outros dias ele fará normalmente um grande abraço.

    tatiene | abr 28, 2011 | Reply

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